domingo, 4 de julho de 2010

TRANSEUNTE



A partir da observação da caminhada de outras pessoas minha composição iniciou, tendo apenas o intuito, por enquanto, de mostrar os diversos tipos e variações de caminhada (rápido, lento, com dificuldade por motivos anatômicos ou estéticos por não saber usar sapato de salto, com pernas soltas ou mais presas/rijas, e tantos outros) e fazer pequenas modificações, releituras do que eu vejo, ou melhor, do que meu corpo consegue codificar e transmitir.
Pude perceber que o estilo de vida e a aculturação de cada pessoa refletem assim em sua caminhada, se é um militar, por exemplo, sua marcha é mais rija, o contrario dos "manos" que demonstram uma marcha com mais swing.
As observações dessas características fora a base para minha pesquisa. Questionaram se eu havia me baseado nos teóricos Alexander, ou em Feldenkrais para refletir sobre a questão de onde a caminhada parte, se da cabeça ou da bacia. Minha resposta foi não.
Para Alexander a cabeça é responsável pelas ações, inclusive a marcha, pois tem a cabeça como ponto inicial para o movimento, e o resto do corpo acompanha (STRAZZACAPPA, 2006). Já para Feldenkrais a bacia tem o lugar de destaque, onde o movimento e consequentimente a caminhada tem seu inicio, neste centro de orientação (idem, ibidem).
Não tive por base esses teóricos, citados anteriormente, porém tenho como embasamento a pura observação, do que vejo das caminhadas alheias e não da minha, como são e como se dão, e o estudo do meu corpo respondendo as estas experiências, como meu corpo corresponde aos multiplos estímulos visuais, daquilo que eu testemunho do andar dos outros corpos com seus diferentes padrões. Assim sendo, por plena escolha, decidi evidenciar especificamente as pernas para essa experimentação.
Penso em utilizar apenas as pernas para solucionar a estes estímulos, logo, é claro, os quadris e a coluna farão parte desta prática, mas quero somente demonstrar e poder sentir esta vivência com as pernas e passar para o expectador essa sensação exclusivamente das pernas, que podemos poeticamente contemplar no caminhar de um transeunte.
foto: paula-travelho.blogs.sapo.pt
Tândara Trentin

Movimento Acústico

A partir dos estudos de Alexander e Feldenkrais, Marcia Strazzacappa, em um de seus artigos, conclui que: “A cabeça é tida como o centro de orientação, pois ela comporta os pares receptores, como os olhos, as orelhas e o nariz (com suas duas narinas). Nós percebemos o mundo de forma simétrica por meio de nossos receptores; assim nossa cabeça gira automaticamente na direção da fonte de estímulo para olhar, ouvir ou cherar de forma equilibrada. O resto do corpo segue automaticamente esse movimento da cabeça; logo, a cabeça é o centro de orientação”. Partindo deste conceito, toda a minha pesquisa de movimento sera baseada nos sensores humanos e na percepção dos estímulos físicos do ambiente.

Estímulo físico é qualquer alteração externa ou interna que provoca uma resposta fisiológica ou comportamental num organismo. Estímulo, por exemplo, são as variações de pressão do ar movimentando o tímpano, a luz sensibilizando a retina, as moléculas no ar estimulando o olfato, etc. Do ponto de vista físico, estímulo pode ser mensurável, e substâncialmente excita os aparelhos sensoriais da mesma forma em todos os indivíduos. Por exemplo, um som de 3 kHz produz 3 mil oscilações em um segundo, este som estimula os tímpanos de todos os indivíduos a sua volta vibrando-os 3 mil vezes por segundo. É fato.

Diferentemente, a percepção é a função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas. Através da percepção um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para atribuir significado ao seu meio. Consiste na aquisição, interpretação, seleção e organização das informações obtidas pelos sentidos.Nossa percepção esta intimamente atrelada aos limiares do sensor. O limiar de sensibilidade é a quantidade mínima de estímulo necessária para que um sensor o perceba. O limiar de saturação, por sua vez, é a quantidade máxima de estímulo que o órgão sensorial suporta, muitas vezes atrelada a dor ou perda permanente do órgão sensorial. Já o limiar de diferenciação é a quantidade de estímulo necessária para que o organismo receptor perceba um crescimento ou um decrescimento progressivo da excitação. Por exemplo, a quantidade de som necessária para que o indivíduo perceba nitidamente que ouve um aumento ou diminuição do mesmo.

Outro fato físico importante para minha pesquisa é o efeito de precedência ou efeito hass, relacionada a audição. É através deste fenômeno que percebemos espacialmente o som, ou seja, “de onde o som vem”. O efeito hass é o fenômeno psicoacústico que permite identificar corretamente a origem de um som percebido por ambos ouvidos, mas que os alcançam em momentos diferentes. Se o ouvido direito percebe primeiro, o som vem do lado direito.

Minha intensão nesta pesquisa é evidenciar e estimular o órgão sensorial auditivo, percebendo os estímulos sonoros naturais do ambiente (sem música) e partindo dele todo o movimento da cabeça e consequentemente do corpo. Por serem sons naturais, são 100 % aleatórios, tornando o experimento coreográfico também essencialmente randômico. Para previlegiar a audição, a estratégia adotada foi tentar minimizar ao maximo os outros sensores, fechando os olhos e “descartando” o tato, o olfato e o paladar. Ao anular alguns sentidos é fácil entender que alguns fatores fisiológicos, antes totalmente dominados, se perdem, tais como o equilibrio e a percepção espacial.

Levando-se em conta todos estes fatore, a movimentação esta intimamemte ligada com a sonoridade do ambiente e a sua percepção. Exemplificando, se há som forte, o movimento é forte, se há som fraco, o movimento é suave, se há som continuo, o movimento é ligado, se há som curto, o movimente é stacatto, de acordo com o envelope do som. O movimento começa a se deliniar a partir do limiar de sensibilidade, ou seja, é necessário que o som seja suficientemente percebido para que haja movimento. Também, levando-se em conta o limiar de diferenciação, o movimento se desenvolve (se altera) a partir da mudaça de intensidade do som. Caso haja sons com intensidades proximas ao limiar de saturação no ambiente, a movimentação sera de repúdio, afastamento, uma vez que estímulos próximos ao limiar de saturação são extremamente agressivos ao sensor, podendo inclusive causar surdez permanente. Além da qualidade de movimento, o som ainda orienta a disposição cênica da experimentação, ou seja, se há sons na esquerda, toda a movimentação seguirá para a esquerda, partindo da cabeça, mencionada anteriormente como sendo o centro de orientação.

Resumidamente, a estética do experimento se concentra na tradução quase que literal dos estímulos sonoros em um determinado ambiente, na tentaviva de anular os outros estímulos.

FRANCIELE PASTURCZAK

quarta-feira, 30 de junho de 2010

ser: o respiro da vida (Ilsom)

Meu estudo da culuna partiu da minha pesquiza da culana de recem nascido. assim visto que todos os movimentos dentro da barriga da mae sao minimos. no meu trabalho nao queri muitos desclocamentos o minimo de movimento mais que mostrase este"respiro da coluna " o menos e mais fala a Prof Glasdis, pra mim este trabalho não ta sendo facil sentir mover pela coluna ela como fonte de movimentos que sao minimos mais que para que ela possar nacer faz nacessario que ele se mova e que termine os 9 meses de cabeca pra baixo.
o centro da minha pesquiza e mover-se como um respiro com micros movimentos utilizarei de torcões das curvaturas da coluna.

ilsom santos

segunda-feira, 3 de maio de 2010

e se fossemos analideos dançantes?


Meu estudo sobre a constituição da minhoca em relação ao corpo humano ,traz a ideia de que a nossa coluna é como os anéis da minhoca um sobre o outro formando um corpo só. A nossa coluna vertebral é constituída pela superposição de uma série de ossos isolados denominados vértebras. Então abordei a problemática: por que não abstrairmos a ideia de que a coluna da minhoca é seu próprio corpo e tentarmos fazer do nosso corpo todo( braços, unhas, pés, cabelo, etc) nossa própria coluna? Em experiências realizadas em sala de aula, muitas vezes percebe-se que o corpo não da conta de experimentar a real sensação do que ter uma coluna em outras partes do corpo muito menos fazer do corpo a coluna. A movimentação também nos traz um empasse: mover-se como? Com todo o corpo ? Pois nossa coluna pode mexer partes isoladas como por exemplo, a regia cervical , lombar, Torácica ou Sacro-Coccígea. Ou mover-se com partes interligadas? Sendo que ao analisarmos uma minhoca ou qualquer outro anelídeo se locomovendo veremos claramente que, se começa por um determinado pont( geralmente a cabeça) esse movimento passa por todo o corpo e termina n calda, ou seja se nao houver essa ligaçao nao há locomoção. Em consideraço final desse trabalho, da parte pratica, posicionei-me ao ponto de explorar todas as movimentaçoes em relaçao aos anelideos passando por todas as partes do corpo, nao esquecendo de que eu era uma coluna, que gerava toda e qualquer movimentaçao a partir da ideia dos aneis que me segmentava do topo da cabeça até as pontas dos dedos dos pés. BRUNA N. ZENHPFENNIG

domingo, 2 de maio de 2010

Acontecida







[...] Não gosto do que acabo de escrever – mas sou obrigada a aceitar o trecho todo porque ele me aconteceu. E respeito muito o que eu me aconteço.[...] Clarice Lispector, in Água Viva


Nesse vai e vem de dias, confusão das horas e dos sentidos apresento a vocês o relato da minha experiência vivenciada na aula de composição coreográfica I da ministrada por Rosemeri Rocha na Faculdade de Artes do Paraná, na qual curso o terceiro ano de Bacharelado em Dança.

A proposta lançada pela professora foi uma pesquisa individual de movimentos partindo do tema central coluna vertebral. Num primeiro momento me veio à mente a coluna vertebral e sua estrutura óssea, no entanto, estou vivendo um momento no qual estou bem insatisfeita com a maneira como eu me organizo nos meus movimentos, pois há trabalhos que já faço a algum tempo que estão impregnados em mim, e eu não consigo mais me mover de outra forma, um dos meus “vícios” de movimento está justamente na mobilização constante e intensa da coluna, então procurei buscar restrições para mim, a fim de me colocar em novas experiências.

Então dada a minha vivência de estágio, que me trouxe o trabalho com peso e chão em outra perspectiva, acabei por encontrar um novo desafio, trabalhar a coluna na horizontalidade do chão, assumindo o peso desses ossos e adicionei a isso a busca de deslocamento sem a utilização das extremidades. No entanto, a minha regra de não utilização de extremidades se mostrou ineficienciente, pois era impossível me deslocar no espaço sem nenhum apoiozinho do braço ou das pernas, então percebi que seria necessário incluir as extremidades, mas de outra maneira, apenas como apoio estritamente necessário. Após essa tomada de consciência, estabeleci trajetórias a serem realizadas no espaço, e depois de muitos queimados no ombro e no queixo cheguei a movimentos que não só cumpriam as trajetórias no espaço, mas também desenhavam círculos ou linhas retas, e ainda tinham uma espécie de aceleração e qualidade de lançamento de tronco/impulso da cabeça.

Durante essa trajetória, compartilhei da experiência da Mariana com os apoios, e acabei por incluir isso no meu trabalho, mas de maneira ainda muito inicial... Além de achar numa imagem do livro Terra de Sebastião Salgado uma tradução/aproximação temporária para minha proposta de movimento...

Porém o que mais me marcou nesse processo foi observar o que me acontecia durante e depois do trabalho com esses movimentos... Pois parecia que minhas confusões de ser humano ficavam ainda mais evidentes durante a realização da proposta, esse é um período de muita confusão na minha cabeça, pois é o momento de tomada de consciência da queda constante, de transformação incessante de tudo o que está sobre a terra, e do imenso descontrole/saturação dos nossos mecanismos sociais... São coisas bonitas mais muito difíceis de lidar na experiência encarnada do mundo... E, nesse momento no qual escrevo, me vem a percepção de que minha escolha de trabalhar no chão se deu pela aceitação da gravidade como processo da vida, já estamos no chão e é nele que provisoriamente vou me digladiar com as minhas questões...

Ontem li o texto A dramaturgia do corpo e seus processos comunicacionais de Christine Greiner, uma dos textos de discussão do bimestre, e num trecho ela diz: tempo presente que carrega e modifica passado e futuro... Acredito que essa experiência apresentada na aula de composição coreográfica está nesse lugar, foi a partir do meu repertório (já bastante explorado na vertical) que cheguei aos movimentos atuais que ainda me parecem tão estranhos e que repito muitas vezes por ainda não saber direito como me organizar para executá-los, eles de alguma forma carregam minha ação em transformação no mundo... E como está ainda nesse texto: em se tratando de tempo, tudo é provisório... O trabalho apresentado foi à síntese provisória do meu jeito de acontecer dentro deste tempo-espaço com a provocação coluna vertebral vibrando e ecoando pelos meus poros ... A forma como me re-des-organizei...

“...que palavras sejam gestos, gestos sejam pensamentos, da voz que move nossos corações..." { Vander Lee, música A voz do cd Naquele verbo agora}


por Rose Mara Silva

sábado, 1 de maio de 2010

preenchimento de contorno

Para pensar a coluna não é preciso separar a coluna do resto do corpo. Na minha composição experimentei o preenchimento da coluna e o contorno dela em si e dela no espaço. A respiração foi um lugar chave para mim, depois com a experimentação a percepção dos músculos abdominais se tornou muito claro para o que eu vinha me propondo.
No meio desse caminho de experimentação , desloquei meu joelho esquerdo e tive que adaptar meus movimentos cotidianos para recuperar o joelho. Foi então que percebi que nas pequenas mudanças que tive que fazer o peso estava sendo sustentado de outra maneira, meu assoalho pelvico tinha que estar acionado mais vezes, minha coluna tinha uma trasferência de peso sutíl e apurada, a bacia sempre sustentada para não sobregarregar o joelho. E comecei a experimentar no dia a dia , andando na rua, comendo, fazendo aula de ballet, deitada. Tinha uma posição com os ísquios encima do calcanhar que possibilitava em trabalhar meus quadríceps e mesmo assim tem uma mobilidade incrível da coluna. Um dia que a minha lombar estava muito dolorida fui tentar alongar ela e percebi que naquela posição a respiração me ajudava a alongar e a sensação era de um volume , um preenchimento muito intenso. E depois caminhando na rua e em forma de experimentação em casa fui vendo como essas mudanças se davam no meu andar.
Como eu disse no dia da apresentação experimentei, mas como a matéria é de compasição coreografica , a intenção era mostra uma célula mesmo, que pudesse ser repetida e que oudesse ser uma dança e não uma mostra do meu processo. Queria poder tranmsformar até onde eu cheguei, mesmo que não fosse muito longe, mas como forma de dança mesmo.
( malki pinsag)

O Corpo Como um Todo


As motivações que me levaram a estudar a coluna vista como ponto principal da reverberação do movimento foi sentir este ponto como unânime no corpo, tudo surge na coluna,cada motivação cada sensação se espalhando no corpo como um todo e gerando o movimento.
Para o ponto de partida do estudo tentei mobilizar a coluna como se ela fosse unânime na produção do movimento, para isto imaginei toda a região de traz do meu corpo como se fosse a frente, me movimentei imaginando como se meus olhos e minha boca estivessem na parte de traz para sensibilizar toda esta região, o resultado deste exercício foi uma parte posterior do corpo muito mais presente e acordada ao me movimentar, facilitando o enfoque do movimento nesta região.
A conclusão deste trabalho foi que na maioria das vezes nos movimentamos apenas pelo confortável ou seja aquilo que consideramos mais evidente no corpo, esquecendo de mobilizar o corpo como um todo, se pensarmos num corpo tridimencional sem frente e sem traz mas sim como um todo o movimento fica muito mais presente e vivo.


Eraldo Alves